Segundo turno deverá ser marcado pela polarização, diz cientista político

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Do Jornal O Potengi

Não há garantias que polarização vista nas eleições presidenciais de 2022 vá se repetir nas eleições municipais deste ano. A avaliação é do cientista político Antônio Ueno, diretor-presidente do Instituto Ranking Pesquisas, a empresa que mais acertou para presidente da República nas Eleições presidenciais de 2022.

O cientista político diz ainda que os partidos de centro deverão prevalecer, conquistandomais prefeituras.Na opinião de Ueno, o primeiro turno servirá para a avaliação dos atuais mandatários das cidades e das questões locais.Segundo o cientista político, nas eleições municipais de 2020, a polarização protagonizada por PT e PL não teve tanta força na disputa pelas prefeituras dos grandes centros urbanos, o que pode se repetir este ano.

“Em poucos municípios, principalmente nos grandes e nos principais centros do país, nós vamos notar uma polarização. Mas isso não vai ser presente na grande maioria dos municípios brasileiros”, cita o cientista político.

Ueno diz ainda que a polarização acaba ofuscada pelos partidos de centro, que costumam se aliar à direita ou à esquerda, a depender das circunstâncias, captando votos de ambos os lados do espectro político-ideológico. Há quatro anos, nenhuma das 26 capitais elegeu prefeito de um desses dois partidos.

“Esses partidos de centro acabam por ter uma maior vitalidade nas eleições municipais do que os partidos que carregam uma forte ideologia. Tradicionalmente, você vai ver sempre em grandes capitais os partidos de centro com maior espaço. A gente vê isso com o Ricardo Nunes, em São Paulo, e com o Eduardo Paes [no Rio de Janeiro]”, pontua.

“A existência do segundo turno nas eleições municipais, como nas eleições majoritárias gerais, para governador e presidente da República, favorece bastante a polarização em termos nacionais das disputas municipais”, prosseguiu.

“Eu acredito que onde a gente tenha cidades médias e menores talvez a gente tenha menos polarização”, afirma.

Disputas em andamento

A menos de sete meses do primeiro turno, a corrida eleitoral está a todo vapor. Na maior cidade do país, o atual mandatário, Ricardo Nunes, vai concorrer à reeleição, tendo como principais adversários o pré-candidato pelo Psol, Guilherme Boulos, e a pré-candidata pelo PSB, Tabata Amaral. Para Ueno, Ricardo Nunes desponta como favorito, porque seu principal adversário, Boulos, teria alcançado o chamado “teto”. Embora corra por fora, a candidatura de Tabata Amaral tem um elemento de desequilíbrio a seu favor, avalia.

“Se ela conseguir um crescimento como terceira via, é alguém que pode passar a ameaçar Boulos e Ricardo Nunes, porque ela tira votos dos dois lados. Se ela chegar ao segundo turno, chega como favorita, seja contra o Ricardo Nunes, seja contra o Boulos”, diz. No Rio de Janeiro, o cenário de concorrentes é mais tranquilo.

O atual prefeito e pré-candidato a reeleição, Eduardo Paes, pode enfrentar o deputado federal Alexandre Ramagem, do PL. Na capital fluminense, Paes tem cenário favorável, afirma o cientista político.Segundo Ueno, 11 prefeitos são candidatos competitivos na busca pela reeleição em 2024 – estando em 1º lugar nas pesquisas ou empatados nessa posição. Entre eles está a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP).Depois aparecem Cícero Lucena (PP), prefeito de João Pessoa , JHC (PL), prefeito de Maceió, David Almeida (Avante), prefeito de Manaus, Sebastião Melo (MDB), prefeito de Porto Alegre, João Campos (PSB), prefeito de Recife, Tião Bocalom (PP), prefeito de Rio Branco (AC), Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Braide (PSD), prefeito de São Luís, Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo, e Lorenzo Pazolini (Republicanos), prefeito de Vitória.

Natal

Na avaliação de Antônio Ueno, uma possível polarização na eleição municipal de Natal deverá ser mais acentuada em um eventual segundo turno do pleito.

O cientista político acrescenta que o apoio do prefeito Álvaro Dias, deverá ser bastante significativo e decisivo para qualquer candidatura, podendo a disputa ser decidida em 1° turno.”A depender do apoio do atual prefeito e da conjectura local, um possível segundo turno na capital potiguar deverá ser marcado pela polarização”, finaliza.


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