Por Saulo Medeiros
A eleição para o Governo do Rio Grande do Norte entra, a partir deste domingo (16), em uma nova fase. Com o início oficial da campanha eleitoral, a disputa deixa o terreno das articulações de bastidores e passa a ser travada diretamente nas ruas, nas redes sociais e no contato com o eleitor.
E um dos movimentos que mais chama atenção no atual cenário é o crescimento de Cadu de Lula(PT).
O candidato, que iniciou a corrida eleitoral em patamares próximos de 3% em alguns levantamentos, vem apresentando evolução consistente ao longo dos meses. Nas pesquisas mais recentes, já aparece próximo dos 20%.
Os números revelam uma mudança importante: Cadu deixou de ser apenas um nome secundário na disputa e passou a representar uma ameaça concreta à configuração que vinha predominando nas pesquisas.
Um dos principais ativos políticos de Cadu é a associação direta de sua candidatura ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No Rio Grande do Norte, Lula mantém uma presença política relevante e pode funcionar como importante fator de transferência de votos para o candidato petista. A estratégia de Cadu de se apresentar como o candidato de Lula coloca a eleição estadual também dentro de uma disputa nacionalizada.
Isso pode ser especialmente importante durante a campanha, quando a exposição dos candidatos aumenta e o eleitor passa a receber mais informações sobre propostas, alianças e posicionamentos políticos.
A disputa pode mudar de configuração
O ponto mais relevante neste momento não é apenas o percentual alcançado por Cadu, mas a velocidade de sua evolução.
De terceiro nome a protagonista
A principal transformação de Cadu de Lula está justamente na mudança de percepção sobre sua candidatura.
O que inicialmente poderia ser interpretado como uma candidatura de menor competitividade passou a ganhar dimensão própria.
Chegar próximo dos 20% significa entrar em uma faixa eleitoral capaz de alterar completamente a dinâmica do primeiro turno, principalmente porque a campanha ainda está começando e existe um contingente significativo de eleitores que pode mudar de voto.
Se Cadu conseguir manter o ritmo de crescimento e transformar a associação com Lula em votos efetivos nas urnas, poderá disputar diretamente uma vaga no segundo turno ou vencer a eleição no 1° turno.
Derrota histórica
Uma eventual vitória de Cadu de Lula sobre Álvaro Dias e Allyson Bezerra representaria uma mudança significativa no mapa político do Rio Grande do Norte.
De um lado estão dois ex-prefeitos com estruturas políticas próprias e forte presença eleitoral. Do outro, Cadu de Lula tenta transformar sua ligação com Lula em uma candidatura competitiva para o Executivo estadual.
Por isso, a eleição de 2026 poderá ser marcada por uma das disputas mais imprevisíveis da história recente do RN.
Cadu ainda não é favorito de forma consensual entre as pesquisas. Mas também já não pode ser tratado como um candidato secundário.
A partir deste domingo, começa a fase que poderá definir se o crescimento registrado nas pesquisas será apenas uma onda momentânea ou se representará o início de uma virada capaz de colocar Cadu de Lula no segundo turno — e, eventualmente, produzir uma derrota histórica para os dois principais nomes da direita potiguar.







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