A investigação da Polícia Federal (PF) sobre supostas irregularidades envolvendo a empresa Dismed e a gestão do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), avançou para outros municípios do Oeste potiguar. Gravações obtidas pela Polícia Federal indicam discussões sobre contratos, licitações e supostas “comissões de 15%” relacionadas às prefeituras de Apodi e Pau dos Ferros, administradas por aliados políticos do ex-gestor.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (15), os diálogos foram anexados ao inquérito da Operação Mederi, autorizada pelo juiz Rogério Fialho Moreira. Em uma das conversas, o representante comercial Sidney Carlos de Melo menciona novos faturamentos ligados ao município de Apodi e cita saldo de contratos em andamento.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados discutiam supostos retornos financeiros relacionados aos pagamentos feitos pelas prefeituras. Em um dos trechos analisados, os valores seriam “fracionados” e posteriormente devolvidos “na forma de comissões/propinas”, conforme interpretação dos investigadores.
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Áudios citam licitação
Outro ponto da investigação envolve uma licitação de medicamentos em Pau dos Ferros. Em gravação anexada ao inquérito, um dos investigados afirma que a concorrência estaria “preparada” e menciona a inclusão de medicamentos controlados nos lotes como estratégia para dificultar a participação de empresas menores.
Ainda segundo a Polícia Federal, a empresa Dismed teria vencido cerca de 85% da licitação mencionada na conversa. O valor citado ultrapassaria R$ 700 mil.
Os investigadores também analisam o uso da expressão “papel” em uma das conversas interceptadas. Para a Polícia Federal, o termo faria referência a pagamentos realizados sem a efetiva entrega de medicamentos, prática descrita informalmente entre os investigados como “papel cagado”.






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