Classificação de PCC e CV como organizações terroristas gera preocupação em Lula e no PT

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A possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas passou a preocupar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema deve entrar na pauta de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ainda não tem data definida.

Inicialmente prevista para ocorrer em março, a reunião entre os dois líderes foi adiada por desencontros de agenda e pelo início da guerra no Irã. Apesar disso, o governo brasileiro acompanha com atenção os movimentos de Washington em relação às duas maiores organizações criminosas do país.

Desde o ano passado, a administração Trump estuda enquadrar PCC e CV na lista de organizações terroristas estrangeiras, como parte de uma estratégia para intensificar o combate internacional ao narcotráfico. Nos últimos dias, a proposta avançou dentro do governo norte-americano e, segundo informações divulgadas, a medida pode ser implementada nas próximas semanas.

A eventual decisão gera preocupação em Brasília. O governo brasileiro e o PT tem se posicionado contra a classificação, argumentando que as atividades dessas facções não se enquadram na legislação brasileira sobre terrorismo.

No Brasil, a lei define terrorismo como crimes motivados por razões religiosas, ideológicas, políticas ou por preconceito e xenofobia. Para autoridades e especialistas, organizações como PCC e CV atuam principalmente com objetivos econômicos ligados a atividades ilícitas, como tráfico de drogas e outros crimes.

Especialistas em relações internacionais também apontam que, no cenário global, a classificação de um grupo como terrorista costuma envolver elementos políticos ou objetivos de tomada de poder.

Segundo Manuel Furriela, especialista em relações internacionais e reitor da Universidade Católica de Brasília (UCB), esse não é o caso das facções brasileiras.

“Em geral, para que um grupo seja considerado terrorista internacionalmente, é necessário que haja motivação política ou a intenção de alterar a estrutura de poder de um país. Organizações criminosas comuns, como as ligadas ao narcotráfico, atuam principalmente em busca de lucro econômico”, explicou.

Diante desse cenário, o tema pode se tornar um novo ponto sensível na relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos quando Lula e Trump se reunirem.

Metrópoles


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