O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, anunciou que ingressera com uma petição pedindo o levantamento do sigilo dos autos da Operação Mederi, sustentando publicamente que o gesto teria sido motivado por “transparência”. Veja a declaração acima. O que o prefeito não destacou, porém, é que o processo já trazia decisões e manifestações anteriores no mesmo sentido — e que o levantamento do sigilo já estava encaminhado antes mesmo do pedido apresentado por sua defesa. A manobra do prefeito reflete uma tentativa de chamar para um feito seu, o de transparência, determinações nesse sentido já tomadas pelo desembargador do caso e pedidas pela PF. A respeito de transparência, no entanto, o prefeito se negou a entregar as senhas de seus aparelhos apreendidos. Documentos obtidos pelo Blog do Dina mostram que, em 22 de janeiro de 2026, o desembargador Rogério Fialho Moreira, relator do caso no TRF5, determinou que o sigilo do inquérito seria afastado após o cumprimento das medidas deferidas, mantendo apenas resguardos relacionados à intimidade dos investigados e dados sensíveis. “DETERMINO, apenas após o cumprimento das medidas ora deferidas, o afastamento do sigilo do inquérito policial”, escreveu o magistrado. Ou seja: o levantamento do sigilo já estava previsto na decisão judicial, condicionado apenas ao avanço das diligências. Poucos dias depois, a Polícia Federal comunicou oficialmente o cumprimento das medidas. Em manifestação datada de 1º de fevereiro de 2026, o delegado Igor de Miranda Góes Chagas informou que os mandados de busca e apreensão haviam sido cumpridos em 27 de janeiro, além da entrega de ofícios às prefeituras envolvidas. No mesmo documento, a PF concluiu que todas as providências haviam sido executadas e se posicionou expressamente pelo fim do sigilo.
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