Foto: Reprodução/Instagram
O cenário cinematográfico brasileiro em 2026 tem um nome central, e ele não vem das grandes escolas de teatro do eixo Rio-São Paulo. Aos 78 anos, Tânia Maria, uma artesã potiguar que passou duas décadas produzindo tapetes de retalhos, é hoje a grande aposta do Brasil para quebrar o jejum de estatuetas no Oscar.
A trajetória da atriz, que recentemente foi tema de destaque no Fantástico, da TV Globo, combina o acaso de uma descoberta em um set de filmagem com a disciplina rigorosa de quem aprendeu a sobreviver com o próprio esforço.

A história que hoje ocupa as páginas do The New York Times começou de forma despretensiosa em 2018. Curiosa com a movimentação de vozes estranhas no povoado onde morava em Parelhas, Tânia decidiu espiar as gravações de Bacurau. Bastou um cumprimento para que a produtora de elenco Renata Roberta identificasse nela a voz e a presença necessárias para o longa de Kleber Mendonça Filho.
Naquela estreia, em 2019, Tânia já mostrava a que veio ao improvisar uma das frases mais lembradas do filme. Embora não tenha formação acadêmica na dramaturgia, Tânia Maria desenvolveu uma técnica própria que impressiona veteranos da indústria.
Para decorar seus roteiros, ela transcreve cada fala à mão em apostilas, método que herdou dos anos de organização como mãe solteira e trabalhadora manual. Essa dedicação rendeu frutos imediatos: em 2026, a atriz já contabiliza seis filmes em produção, consolidando-se como uma das profissionais mais requisitadas do país.

Em seu trabalho mais recente, O Agente Secreto, Tânia interpreta Sebastiana. O papel foi escrito por Kleber Mendonça Filho especialmente para ela e carrega o nome de batismo da atriz, que ela havia abandonado na infância por achar Tânia Maria um nome mais digno de estrela. No set, o entrosamento com Wagner Moura foi imediato. O ator declarou publicamente sua admiração pela colega, descrevendo-se como apaixonado pelo talento e pela autenticidade da potiguar.
O horizonte em Hollywood
O reconhecimento internacional de Tânia Maria não é apenas figurativo. Revistas especializadas como Variety e The Hollywood Reporter situam a brasileira como forte candidata à categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. A expectativa cresce para o dia 22 de janeiro, quando a Academia divulgará a lista oficial de indicados. Caso a indicação se confirme, Tânia poderá ser a primeira brasileira a vencer um prêmio de atuação na história do Oscar.
A preparação para uma possível viagem aos Estados Unidos já provocou mudanças profundas em sua rotina. Após 65 anos de tabagismo, vício mencionado inclusive pela crítica internacional ao analisar sua performance em cena, a atriz decidiu parar de fumar.
Mesmo com a agenda lotada e o assédio de ícones como Fernanda Montenegro, a ex-costureira mantém os pés fincados em sua origem. Os kits de tapetes para banheiro que a sustentaram por anos continuam sendo vendidos pelo mesmo valor de 80 reais.
Para a família e para o público que acompanha sua evolução, a “cobreira” de Parelhas não está apenas mudando a própria vida, ela está estendendo o tapete vermelho para a representatividade da mulher madura e nordestina no mundo.






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