Lista de quem não assinou CPMI do Master reflete teia de interesses

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A lista de quem não assinou o pedido de instauração de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar o Banco Master é reveladora da teia de interesses montada para proteger os negócios espúrios do banco de Daniel Vorcaro e Augusto Lima.

O pedido deve ser protocolado na próxima semana, com a retomada dos trabalhos do parlamento após o recesso de fim de ano.

No estado do Piauí, do senador Ciro Nogueira (PP), líder do Centrão, nenhum parlamentar assinou o documento até o momento — nem na Câmara nem no Senado. Nogueira foi um dos parlamentares mais vocais na defesa de pautas que, coincidentemente ou não, interessavam ao Master, como o aumento do limite da garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, que ao final não foi aprovada.

Na Bahia, berço do negócio que deu origem ao Master, o programa de cartão consignado Credcesta, só um deputado assinou o pedido: Capitão Alden, do PL. E nenhum dos três senadores.

Augusto Lima é amigo do senador Jaques Wagner (PT), a quem deve, quando este era secretário de Desenvolvimento da Bahia, o contrato do Credcesta. Lima é também próximo do senador Otto Alencar (PSD). O terceiro senador, Angelo Coronel, também do PSD, foi eleito em uma chapa fazendo dobradinha com Wagner.

“Desde 2022, eu denuncio publicamente os descontos ilegais nos contracheques de servidores, especialmente por meio do Credicesta”, diz o deputado Alden. “Quando a CPI surgiu, eu fiz o que sempre fiz: fui coerente. Assinei sem olhar nome, partido ou conveniência. CPI não é condenação. É investigação. Quem não deve, não teme. O que não é aceitável é fechar os olhos para um esquema que lesou milhares de servidores.”

Em entrevista à Folha, Jaques Wagner declarou que a privatização da Ebal, onde o contrato do Credcesta ficou atrelado, foi um bom negócio para a Bahia, aprovado pelos órgãos de controle do estado.

No Amapá, estado do presidente do Senado, David Alcolumbre, e cujo instituto de Previdência aportou R$ 400 milhões em um título do Master, nenhum deputado assinou o pedido. No Senado, nem Alcolumbre nem Randolfe Rodrigues (PT) assinaram. Coube ao senador pelo PSD Lucas Barreto a única assinatura do estado do Amapá, nas duas casas.

O movimento para a instauração da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) no Congresso é liderado pelo deputado Carlos Jordi (PL-RJ). O senador Eduardo Girão (Novo-CE) lidera um pedido de CPI no Senado. As assinaturas começaram a ser colhidas no final do ano passado, após a prisão de Vorcaro, Lima e outros diretores, e a decretação da liquidação do banco pelo Banco Central. Eles foram soltos dias depois.

Já são 269 assinaturas para a CPMI nas duas casas somadas. O mínimo necessário são 198, sendo 171 deputados e 27 senadores.

O clima para CPIs e CPMis no Congresso, contudo, não é dos mais favoráveis. Na Câmara há uma fila de 10 requerimentos acumulados desde 2023 e o presidente da Câmara, Hugo Motta, não tem feito qualquer movimento para destravar essa pauta. Já a CPMI, que envolve as duas casas, é uma decisão de Alcolumbre como presidente do Congresso. Há, contudo, um entendimento do Supremo Tribunal Federal de que é direito de minorias instalar CPMIs. Foi esse entendimento que levou à instauração da CPMI do INSS, por exemplo.

UOL


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