Fátima Bezerra deve encerrar gestão com contas em colapso e incertezas fiscais

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Quando a professora Fátima Bezerra (PT) chegou ao Governo do Rio Grande do Norte em 2019, prometeu mais emprego, serviços públicos fortes e equilíbrio fiscal. No início de 2026 e às vésperas de deixar o cargo para disputar uma cadeira no Senado, o cenário é outro: o Estado fecha o ciclo com as finanças em profunda crise, serviços públicos pressionados e eleições em meio a um ambiente econômico fragilizado.

Relatórios oficiais apontam que a dívida consolidada líquida do Estado alcançou cerca de R$ 6,3 bilhões em agosto de 2025, um aumento de quase R$ 1,8 bilhão em relação à gestão anterior. Esse rombo fiscal entrega ao próximo governador um cenário de restrições severas para investimentos e ajustes orçamentários.

Deputados estaduais e líderes políticos já vinham alertando que o passivo a ser herdado por quem assumir o Executivo será bilionário. Segundo parlamentares, o Estado acumula dívidas com fornecedores, R$ 6 bilhões em precatórios e um déficit mensal estimado em R$ 170 milhões apenas na Previdência estadual.

A aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026 expôs ainda mais a fragilidade das contas potiguares: a peça prevê receitas de cerca de R$ 25,67 bilhões contra despesas estimadas em R$ 27,22 bilhões , resultando em um déficit de cerca de R$ 1,5 bilhão. Legisladores da própria base de governo alertaram que sem reforços federais será difícil fechar as contas.

A maior pressão vem da folha de pessoal e da Previdência, que comprometem uma fatia enorme do orçamento estadual, deixando pouca margem para investimentos ou ampliação de serviços sociais.

Dados do Tesouro Nacional apontam que, já em 2025, o Rio Grande do Norte ultrapassou o limite prudencial de gastos com pessoal definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (49%), dedicando mais de 56% da receita corrente líquida a salários e encargos. Essa situação reduz drasticamente a capacidade de o Estado responder a choques econômicos e ampliar investimentos públicos.

Além disso, servidores e pensionistas viram compromissos do governo não serem cumpridos no prazo — como o atraso no pagamento do 13º salário, que gerou revolta e protestos neste mês de janeiro.


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