Por David Medeiros
Mesmo enfrentando uma das piores secas dos últimos anos e com decretos de situação de emergência reconhecidos pelos governos estadual e federal, municípios do Rio Grande do Norte têm anunciado programações milionárias para o Carnaval 2026.
O caso de Caicó, na região Seridó, chama atenção. O município enfrenta graves dificuldades no abastecimento de água em alguns bairros, impactos diretos na zona rural e prejuízos à agricultura familiar, mas divulgou uma programação carnavalesca com atrações de grande porte, cujos cachês somam valores expressivos. A situação se repete em outras cidades potiguares que também estão oficialmente em emergência por estiagem prolongada.
De acordo com dados de órgãos de monitoramento climático, a seca tem comprometido reservatórios, afetado a produção agropecuária e agravado problemas sociais, especialmente entre as populações mais vulneráveis. Ainda assim, as gestões municipais defendem os gastos com festas como forma de fomentar o turismo, aquecer a economia local e gerar emprego e renda temporários.
Há contradição evidente entre pedir apoio emergencial aos governos estadual e federal para enfrentar a seca e, ao mesmo tempo, investir milhões em eventos festivos. Falta água, mas sobra dinheiro para shows.
Apesar da inércia, o Ministério Público do Rio Grande do Norte já acompanha situações semelhantes em anos anteriores e pode vir a solicitar esclarecimentos sobre os gastos milionários.







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