O Dia do Fico, celebrado em 9 de janeiro, marca um dos momentos mais decisivos do processo de Independência do Brasil. Em 1822, o então príncipe regente Dom Pedro de Alcântara anunciou que permaneceria no país, contrariando ordens das Cortes Portuguesas que exigiam seu retorno imediato a Lisboa. A decisão representou uma ruptura política clara com Portugal e acelerou um processo que culminaria na Independência, proclamada em 7 de setembro do mesmo ano.
Para o historiador Mariano de Azevedo, doutor em História e professor da Humanas com Método, o episódio não pode ser interpretado como um gesto isolado ou impulsivo. “O chamado ‘fico’ expressa um rearranjo de forças políticas já em curso no Brasil. Elites econômicas, setores administrativos e grupos locais viam a tentativa de recolonização portuguesa como uma ameaça direta aos interesses consolidados desde a chegada da família real, em 1808”, explica.
Após a Revolução Liberal do Porto, as Cortes de Lisboa passaram a defender a reversão das medidas que haviam elevado o Brasil à condição de Reino Unido, em 1815. Na prática, isso significava a perda de autonomia administrativa, a redução do poder local e a retomada da subordinação econômica à metrópole. “Havia um projeto claro de recentralização do poder em Portugal. A permanência de Dom Pedro no Brasil foi uma resposta política direta a esse movimento”, analisa o professor da Humanas com Método.
Segundo Mariano de Azevedo, o Dia do Fico representa um ponto de inflexão no processo de Independência. “A partir de 9 de janeiro de 1822, a separação deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a se consolidar como um projeto político concreto, com apoio interno, articulação institucional e respaldo de grupos estratégicos”, afirma.
O historiador destaca que o tema segue recorrente no ensino de História do Brasil e é frequentemente cobrado em provas como o Enem, justamente por permitir uma leitura mais complexa do período. “O Dia do Fico é central porque ajuda a compreender continuidade e ruptura. Não houve um rompimento imediato com Portugal, mas uma mudança decisiva no rumo do processo histórico”, pontua.
Para o professor da Humanas com Método, o episódio também contribui para desconstruir a ideia de que a Independência do Brasil foi um evento repentino ou fruto da vontade individual de um único personagem. “A decisão de Dom Pedro só foi possível porque havia pressão política, mobilização social, abaixo-assinados e interesses econômicos bem definidos. O Dia do Fico mostra que grandes transformações históricas são construídas coletivamente, em meio a disputas de poder”, conclui.







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