Por David Medeiros
Diante das investigações em curso conduzidas pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que apuram possíveis desvios e fraudes em recursos da Saúde do município de Mossoró, a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal não é apenas legítima — é necessária.
O prefeito Allyson Bezerra tem reiterado, em discursos e peças de comunicação institucional, que sua gestão é pautada pela transparência. No entanto, a coerência entre discurso e prática é colocada à prova quando surgem fatos graves que exigem apuração profunda e independente. Transparência real não se resume a falas públicas ou postagens em redes sociais; ela se materializa na disposição de permitir investigações amplas, inclusive no âmbito do Poder Legislativo municipal.
A Câmara de Vereadores não pode se furtar ao seu papel fiscalizador. Negar a abertura de uma CEI, especialmente em um contexto de investigação federal envolvendo recursos da saúde — área sensível, que lida diretamente com vidas — enfraquece o discurso oficial de lisura e passa à sociedade a impressão de blindagem política. Quem não deve, não teme.
Ao tentar barrar esse mecanismo, os vereadores e o prefeito Allyson Bezerra assumem o ônus político de sustentar dúvidas que poderiam ser esclarecidas com transparência.
Caso a base governista na Câmara opte por impedir a investigação, o discurso de Allyson Bezerra perde força e credibilidade. Afinal, se a gestão é realmente transparente, por que temer uma comissão que apenas busca fatos?
Mossoró precisa de respostas, não de discursos. E os vereadores precisam decidir de que lado da história querem estar: do lado da fiscalização e do interesse público ou do silêncio conveniente que, cedo ou tarde, cobra seu preço político.







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